O melhor café do mundo é brasileiro e de Minas Gerais

O melhor café do mundo é brasileiro e de Minas Gerais

Produtor rural vende saca de café por R$ 9 mil

O melhor café do mundo é brasileiro e de Minas Gerais

Maior produtor de café do mundo, o brasileiro já pode se orgulhar de também ser dono do título de melhor café do planeta. O grande vencedor do Cup of Excellence – principal concurso internacional da qualidade dos cafés, foi Sebastião Afonso da Silva, que possui uma fazenda no município de Cristina – sul de Minas Gerais.

Nos últimos anos, a moda do café gourmet veio para ficar e, não é de se admirar que 97% dos brasileiros consumam a bebida em algum momento do dia. Porém, com tanta produção acontecendo, o diferencial de Sebastião está na colheita feita à mão, técnica chamada de derriça, além, é claro, do clima favorável ao cultivo do grão.

Graças às montanhas da Serra da Mantiqueira, este pequeno produtor pode fazer a colheita tardia, mantendo os grãos maduros por mais tempo nos galhos. Isto pode parecer apenas mais um detalhe, mas é o que faz ele ter um melhor aproveitamento de sua colheita e seu café ser considerado assim tão especial.

Considerado o café natural mais caro do mundo, Sebastião conseguiu a maior nota já obtida em concursos em todo o mundo: 95,18, em uma escala que vai até 100. Os principais atributos de seu produto são a acidez, a doçura e o corpo, tanto que apenas uma saca de 60 quilos desse café chegou a ser vendida a R$ 9,8 mil para a Starbucks norte americana, a maior rede de cafeterias do mundo. Já tomou seu cafezinho hoje?

Matéria originalmente publicada no Hypeness

 

Sítio São Sebastião, de Cristina, MG, duas vezes vencedor do Cup of Excellence (2014/15), agora investe na fermentação de microlotes

Sítio São Sebastião, de Cristina, MG, duas vezes vencedor do Cup of Excellence (2014/15), agora investe na fermentação de microlotes

Sítio São Sebastião, de Cristina, MG, duas vezes vencedor do Cup of Excellence (2014/15), agora investe na fermentação de microlotes

Sítio São Sebastião, de Cristina, MG, duas vezes vencedor do Cup of Excellence (2014/15), agora investe na fermentação de microlotes

História inspiradora de Sebastião Afonso ajudou a chamar a atenção para Cristina, MG, como uma região de cafés especiais de alta qualidade

O município de Cristina, na Mantiqueira de Minas, vem se destacando no universo dos cafés especiais brasileiros há algum tempo. O trabalho da família Afonso é co-responsável por isso. Entretanto, a história do sucesso na plantação de cafés premiados de Sebastião Afonso, na verdade, começou com outra cultura, o arroz. Primordialmente, seu pai, em 1963, arrendou umas terras de várzea no bairro da Pedra, no mesmo município, e começou a plantar o arroz, o que lhe permitiu criar seus 21 filhos.

Então, lá pelos idos dos anos 90, quando o preço ficou muito baixo, diversificaram para poder sobreviver e passaram a plantar outras culturas, como vargem, banana, e comercializavam eucalipto.

Foi então que a família se reuniu para comprar umas terras no bairro de Vargem Grande para trabalhar com café.

Sorteio no chapéu

No terceiro ano de produção, como a propriedade ficava num morro, dividiram em 8 faixas de terra, uma para cada irmão homem, com 1400 pés para cada um. A mais alta era a número um e a mais baixa, a oito. Colocaram papeizinhos com as numerações dentro de um chapéu e fizeram um sorteio. A Afonso coube o lote número quatro. No final, os outros irmãos foram negociando com ele suas propriedades e Afonso terminou com todos os lotes, menos um, o de Antônio Marcio, que até hoje também planta café. “Meus irmãos acharam muito difícil lidar com o café, todos estavam acostumados com a lavoura do arroz”, conta.

O café é colhido manualmente

O café é colhido manualmente

Capricho na produção de cafés especiais

Capricho na produção de cafés especiais

Com o dinheiro da venda dos cafés, conseguiu guardar um pouco e investir numa propriedade maior, o sítio São Sebastião. Atualmente, possui oito propriedades que somam 360 hectares, sendo 85 hectares somente de café, com 285 mil pés.

Prêmios

“Até esse momento, não me preocupava com o pós-colheita, a gente não tinha nem trator”, lembra. Em 2007, quando estava iniciando a colheita, resolveu que era o momento de investir no pós-colheita e encomendou um lavador, um secador e, em um despolpador e, em 30 dias, colocou tudo pra funcionar e ainda construiu um terreiro próprio já que, até então, usava o dos vizinhos.

O resultado é que, já na safra 2008 ficou entre os 50 melhores cafés do concurso da ìlly e no ano seguinte venceu o primeiro concurso. Mais adiante começaram a utilizar o processamento Natural e, como sempre fizeram colheita seletiva, acabaram vencendo dois anos consecutivos, 2014 e 2015, o Cup of Excellence. Em 2014, venceu com um lote inscrito por seu irmão, Antônio Marcio da Silva, com 95,18, pontos. E, em 2015, com 94,47, ambos na categoria Naturals.

Matas e nascentes

As propriedades de Afonso estão entre 900 e 1300 metros de altitude e apresentam temperatura média de 17 graus e 1600 milímetros de chuvas. Uma das grandes preocupações do proprietário e de seu filho, Hellison Afonso, de 24 anos, que o ajuda nas fazendas desde sempre, é com a preservação das Matas Nativas e das nascentes. “Somente uma das propriedades têm 11 nascentes, que são preservadas e mantidas fora do alcance do gado. Temos mais de 70 hectares de mata e, numa faixa de 15 metros de distância de cada córrego de água, as nascentes estão devidamente protegidas para o gado não ter acesso. Afinal, é de alta qualidade, comprovante por meio de análises que são realizadas todos os anos. Dessa forma, honramos nossas certificações como a da Certifica Minas e da UTZ”, diz Hellisson com orgulho.

Hellison e o pai
Hellison e o pai

Colheita Manual

Toda a colheita da propriedade é feita manualmente, inclusive, sem derrissadeira, máquina portátil para auxiliar na colheita do café que, segundo especialistas, ajuda a melhorar a produtividade da lavoura.

Durante a colheita, que é tardia, contam com o auxílio de 30 pessoas, todas registradas pelas rigorosas leis trabalhistas brasileiras. “Mas ao longo do ano, somos apenas 12 na lida”, esclarece Hellisson, um apaixonado pelos cafés e que está estudando para torrar na própria fazenda. Já o filho mais novo, Emerson, está cursando medicina em Itajubá, o que não lhe possibilita estar mais presente na propriedade. “Mas cada um ajuda como pode”, diz Afonso, não escondendo o orgulho de suas crias.

Seus cafés especiais são exportados para diversos países

A família vende seus cafés por meio da cooperativa da região, a Cocarive, que comercializa para países como Coreia, Japão, Austrália, EUA, Canadá etc.

“Nossa luta agora é melhorar a qualidade dos cafés ainda mais, para podermos atender todos os nossos clientes. Não adianta só produzir um ou dois microlotes com notas melhores, temos que tentar fazer cafés com melhor qualidade. Para isso, estamos estudando melhor as fermentações, principalmente com a ajuda do professor Flávio Borém, da UFLA”, finaliza.

Fotos e Vídeos: Clodoir de Oliveira

Matéria produzida por: Grão Especial

Produtor rural vende saca de café por R$ 9 mil

Produtor rural vende saca de café por R$ 9 mil

Produtor rural vende saca de café por R$ 9 mil

Produtor rural vende saca de café por R$ 9 mil

Agricultor conseguiu alta qualidade do grão a partir de uma série de requisitos, como adubação correta, análise de solo e altitude da propriedade rural

Café no terreiro

Com produção de até 3,5 mil sacas em quatro propriedades que possui, Sebastião consegue alta qualidade do grão a partir de uma série de requisitos, que incluem adubação correta, análise de solo, correção de falhas e cuidado pós-colheita. A altitude em que a lavoura está localizada também colabora: mais de 1,3 mil metros rendem a ele o melhor da bebida.

Para conseguir um valor elevado pelo produto, o agricultor teve que investir na infraestrutura da fazenda. A última aquisição foi a montagem de um laboratório usado para fazer a análise dos grãos e do solo da propriedade. Assim, ele consegue ter informações mais precisas sobre a qualidade do café colhido, além de dados para correção do solo.

Confira a entrevista completa:

Matéria publicada no Canal Rural.

Por Kenia Santos, de São Paulo (SP)

Produtor da Mantiqueira de Minas é bicampeão do Cup of Excellence Naturals

Produtor da Mantiqueira de Minas é bicampeão do Cup of Excellence Naturals

Produtor da Mantiqueira de Minas é bicampeão do Cup of Excellence Naturals

Produtor da Mantiqueira de Minas é bicampeão do Cup of Excellence Naturals

Bicampeão! Sebastião Afonso da Silva, vencedor do Cup Of Excellence Brasil. Sítio São Sebastião, em Cristina, Mantiqueira de Minas! Surpreendentes 94,47 pontos!

 

Com três cafés presidenciais – aqueles que atingem notas acima de 90 em uma avaliação de 0 (zero) a 100, conforme tabela oficial do concurso – o Cup of Excellence – Naturals 2015 revelou seus vencedores, na última sexta-feira (11/12), em Franca (SP). O campeão do certame foi o produtor Sebastião Afonso, do Sítio São Sebastião, em Cristina (MG), na região de Mantiqueira de Minas, que teve seu lote avaliado em 94,47 pontos.

Este é o segundo ano consecutivo que o Sebastião Afonso vence a competição, quando em 2014 o lote inscrito por seu irmão, Antônio Marcio da Silva, foi indicado como melhor natural pelo Cup of Excellence – Naturals, atingindo 95,18 pontos na ocasião. “Estamos muito felizes, estávamos apostando neste lote”, contou Sebastião, que esteve o tempo todo acompanhado da família na cerimônia. “Não tenho nem palavras. O caneco é nosso de novo”, compartilhou seu filho Helisson Afonso, nas redes sociais após a premiação.

O segundo colocado atingiu a pontuação de 92,77 e veio também da região de Mantiqueira de Minas. O lote é da produtora Maria Valeria Costa Pereira, da propriedade Irmãs Pereira e fica no município de Carmo de Minas (MG). O terceiro café presidencial da competição foi o do produtor Ralph de Castro Junqueira. Ainda na Mantiqueira de Minas, em Carmo de Minas, o lote alcançou 90,04 pontos.

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Equipe completa de juízes e de apoio do Cup Of Excellence Naturals Brazil.

Nove países e muitos dias de prova para chegar aos melhores cafés naturais do Brasil

O júri internacional do Cup of Excellence – Naturals 2015, que premia os melhores cafés naturais (colhidos e secos com casca) da safra, trabalhou na região da Alta Mogiana. Segundo os juízes e organizadores, os cafés deste ano surpreenderam e elevaram o nível de dificuldade para selecionar os 10 melhores entre os que já haviam sido escolhidos na fase nacional. Outros 32 lotes estavam na disputa.

As avaliações finais aconteceram de 7 a 11 de dezembro, degustadores e classificadores dos principais países importadores do mundo reavaliaram os cafés, com base em propriedades como corpo, sabor, doçura e grau de acidez. Os campeões serão ofertados em disputado leilão mundial, via internet.

O júri também visitou propriedades da região da Alta Mogiana, como a fazenda Bela Época, no município de Ribeirão Corrente (SP) que tem como proprietário o diretor-presidente da Associação dos Produtores de Cafés Especiais da Alta Mogiana (conhecida internacionalmente como AMSC — Alta Mogiana Specialty Coffees). E a O’Coffee, localizada em Pedregulho (SP), que possui estrutura de produção focada em qualidade, com terreiros de cimento e suspenso.

O Cup of Excellence voltado à seleção dos cafés naturais é realizado exclusivamente no Brasil, o maior produtor global, e tem o intuito de apresentar ao mundo a diversidade e a sustentabilidade dos grãos colhidos e secos com casca.

A equipe da Espresso fez um sobrevoo na fazenda do produtor Sebastião Afonso, do Sítio São Sebastião, em Cristina (MG), de Mantiqueira de Minas, no início deste ano. Confira belas imagens da região no vídeo abaixo:

 

(Texto publicado originalmente no site CaféPoint)

TEXTO Thais Fernandes • FOTO Mariana Proença/Café Editora
Caça ao melhor natural do Brasil

Caça ao melhor natural do Brasil

Caça ao melhor natural do Brasil

Desbravamos as trilhas da Mantiqueira de Minas para conhecer o café que surpreendeu juízes do maior concurso de cafés especiais do País e despertou a atenção do mundo.

 

Vista aérea da Fazenda Pinhal, localizada em Cristina, região da Mantiqueira de Minas

Vista aérea da Fazenda Pinhal, localizada em Cristina, região da Mantiqueira de Minas

Vista de cima, as lavouras de Cristina, na região da Mantiqueira de Minas, parecem formar infinitas trilhas que levam sempre para o mesmo tesouro: o café. Por lá, o produtor Sebastião Afonso da Silva conseguiu desvendar o caminho para alcançar a façanha que lhe rendeu o título de recordista do Cup of Excellence Naturals, concurso que premia o melhor café natural do País.

Sebastião é dono de algumas propriedades na cidade, mas foi no terreno em que aprendeu a cultivar café que conseguiu produzir o lote vencedor da competição realizada pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA). A amostra em questão atingiu 95,18 pontos, de acordo com a metodologia da associação americana Specialty Coffee Association of America (SCAA), e despertou o interesse do mundo.

Foi atrás desse tesouro que nossa equipe seguiu por uma estrada difícil, mas logo o cafeicultor chegou para indicar o caminho e ensinar a desviar do barro deixado pela chuva que tinha caído no dia anterior. Sebastião nos guiou ladeira acima, até o Sítio Baixadão, rejeitado anos antes por sua altitude – a mais elevada entre as suas propriedades, chegando a 1.300 metros –, e disse que precisou provar o valor do lugar e o potencial das alturas.

Antes de enveredar pela produção cafeeira, ele cultivou arroz com sua família. “Nós éramos em 21 irmãos, meu pai criou todos plantando em terra arrendada”, revela. Apenas quando o arroz se tornou inviável para a família, eles tentaram a cafeicultura. Logo, Sebastião se rendeu ao amor pelo grão, adquirindo aos poucos terrenos de outros irmãos, entre eles o Sítio Baixadão. “Comecei com 1.400 pés de café e tomei gosto só de cuidar daquela primeira lavoura.” Enquanto fala sobre a união da família, fica nítida a importância do laço com os irmãos, que incentivam até hoje suas novas empreitadas. Como acontece com Antônio Marcio, que inscreveu um dos lotes do Sítio Baixadão no concurso, ao lado do irmão.

Quem também carrega nos genes e no brilho dos olhos o amor pelo café é o primogênito de Sebastião, Helisson. “Ele é meu braço-direito. Já sabe tudo”, derrete-se o produtor. O garoto, de 20 anos, comparece todo dia cedo à lavoura e vai aonde for preciso, dirigindo a caminhonete da família, o único carro que consegue chegar aos cafeeiros mais altos nos dias chuvosos. Com o apoio do filho, que tem na ponta da língua cada dado da produção, Sebastião enumera detalhes que fizeram da sua produção uma das revelações do ano.

Sebastião Afonso andando pela Lavoura de Café

Sebastião Afonso andando pela Lavoura de Café

Surpresa e aprendizado.

Muito antes da competição que premiou os cafés naturais ‒ colhidos e secos com casca ‒ de Sebastião, no entanto, os cafeeiros das variedades catuaí amarelo e vermelho tiveram que vencer um ano marcado pela seca. As altas temperaturas e a falta de chuva de 2014 trouxeram consequências até mesmo para árvores vistosas como as de Sebastião, que tiveram 30% de perda em seus frutos na pós-colheita.

O problema no enchimento dos grãos assustou o cafeicultor, que teve que alterar também seu foco no beneficiamento, até então voltado para os cafés cerejas descascados. “Eu nunca tinha feito um trabalho voltado para os naturais, mas neste ano não teve jeito de despolpar”, conta. Foi nesse momento que Sebastião percebeu que poderia transformar dificuldade em aprendizado. 

O cafezal e o terreiro onde os grãos são preparados. Fruto e grão verde da Fazenda Pinhal

O cafezal e o terreiro onde os grãos são preparados. Fruto e grão verde da Fazenda Pinhal.

Tudo apontava para o processo natural e, mais do que isso, para a paciência em aguardar o ponto ideal da maturação dos frutos. O produtor classifica seu cafezal como “meia face”, ou seja, não recebe sol o dia inteiro, o que favorece a umidade e o desenvolvimento mais lento dos grãos. “O pessoal fica admirado de eu estar colhendo café ainda em novembro”, relembra Sebastião, que apostou ao extremo na colheita tardia, conhecida como late harvest.

Agora, o agricultor, que nunca havia separado os cafés daquela lavoura em específico para análise, pretende prosseguir com um beneficiamento dedicado somente ao talhão campeão. “Essa propriedade provou que favorece os grãos. A gente ajuda, mas a qualidade mesmo vem da natureza. O produtor tem que se dedicar a manter a qualidade na pós-colheita, é nisso que está o segredo de fazer café”, acredita.

Diz o ditado que é “o olho do dono que engorda o boi” e no Sítio Baixadão não é diferente. “Eu gosto de estar a par de tudo. Quando chego e a turma está no serviço eu não mando… Sempre digo que ‘nós vamos fazer isso juntos’. Se você chegar aqui de surpresa não vai encontrar ninguém de roupa limpinha, não”, conta. Por isso, depois de onze intensos dias da última colheita, o produtor lembra que assumiu a linha de frente no terreiro, responsabilidade dividida somente com Helisson.

Para o natural, foram dois dias no processo que incluiu secagem em terreiro pavimentado, em estufa – em dias de chuva –, com finalização no secador mecânico, na Fazenda Pinhal, onde se concentra o beneficiamento de todas as suas lavouras.

O degustador Wellington orienta os cafeicultores em prova organizada pela cooperativa.

O degustador Wellington orienta os cafeicultores em prova organizada pela cooperativa.

Colhendo frutos

Seguimos para a Cooperativa Regional dos Cafeicultores do Vale do Rio Verde (Cocarive), onde o provador Wellington Carlos Pereira nos recebe anunciando: “A maturação lenta, com certeza, favoreceu a doçura do café do Seu Sebastião”. A característica é típica da região, mas por causa da seca acabou dando lugar a uma acidez mais elevada. “Nós visamos qualidade desde 2001, incentivando produtores neste mercado”, esclarece Ralph de Castro Junqueira, presidente da Cocarive que faz parte da Associação dos Produtores de Café da Mantiqueira (Aprocam). A entidade promove a Indicação de Procedência (IP) da Mantiqueira de Minas, selo usado pelos cooperados.

Os frutos desse trabalho são colhidos em concursos como o último Cup of Excellence dedicado aos naturais, quando a vitória de Sebastião se misturou à de outros doze lotes vencedores da Mantiqueira.

O incentivo tem história. Sebastião tem no currículo também a conquista, em 2009, do Prêmio Ernesto Illy de Qualidade do Café para Espresso, com seu catucaí amarelo e vermelho, cerejas descascados, além dos recentes 2º lugar do concurso da Cocarive e, em seguida, 1º lugar no concurso realizado pela Região da Mantiqueira de Minas, em 2014.

Sebastião e Helisson contemplam o lote de seu café campeão. Galpão da cooperativa onde são armazenadas as sacas e bags dos grãos destinados à exportação.

O contato entre cooperado e cooperativa se intensificou quando, durante nossa visita, os produtores tiraram dúvidas e participaram de prova dos cafés. O momento rendeu comentários e surpresa com os novos sabores notados pelos campeões na produção. Depois de conhecer aquele grão desde o nascimento até a xícara, já estávamos satisfeitos, mas o dia guardava uma última surpresa.

Em meio a sacarias prontas para exportação, encontramos o lote premiado sendo preparado para seu futuro leilão (em tempo: o leilão foi realizado no dia 4 de março e o lote do produtor foi comprado pelo valor recorde de US$ 48.552, arrecadação total). “É esse o nosso café”, exclamava Helisson para o pai enquanto lia “Sítio Baixadão” no pacote embalado a vácuo pela equipe do concurso. Com orgulho sem igual, pai e filho puderam observar mais do que a excepcional pontuação de 95.18. O lote exibia a sensação definida por Sebastião. “A partir do momento em que você faz uma coisa de que gosta, você presta muito mais atenção nos seus erros para não repeti-los. É assim que fica mais fácil fazer tudo bem-feito.”

Trabalhador transportando as sacas de Café.

Trabalhador transportando as sacas de Café.

 |  Ficha técnica

Fazendas: Sítio Baixadão, Fazenda Pinhal, Sítio Nossa Senhora da Mata, Fazenda Santa Teresinha, Sítio Pasto da Pedra
Localização: Cristina – MG
Região: Mantiqueira de Minas
Altitude média: 1.200 metros
Produção anual: 2.900 Sacas
Área total: 329 hectares
Área plantada com café: 85 hectares
Número de cafeeiros: 20 mil pés
Colheita: manual, de junho a novembro
Processamento: cereja descascado e natural
Secagem: terreiro pavimentado e secador mecânico
Variedades: catucaí, bourbon, acaiá, catuaí amarelo e vermelho
Selo: indicação de procedência da mantiqueira de minas

(Texto originalmente publicado na edição impressa da Revista Espresso – única publicação brasileira especializada em café.)

Texto: Thaís Fernandes | Fotos: Guilherme Gomes e Tipuana Imagens Aéreas.